quinta-feira, 6 de abril de 2017

A Pior Heresia de João Calvino: Que Cristo Sofreu Queimando No Inferno de Fogo [Em 2ª Expiação]

Que Cristo Sofreu
Queimando No Inferno de Fogo
[Em 2ª Expiação]



Hélio de Menezes Silva, 2017.




O Credo Apostólico, inventado pelo catolicismo, versão Gaulesa de 650 dC (a que mais tempo foi usada sem alterações, por católicos e reformados), é:
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador dos Céus e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da virgem Maria;
padeceu sob Pôncio Pilatos,

foi crucificado, morto e sepultado;
desceu ao INFERNO *,

ressurgiu dos mortos ao terceiro dia;

subiu ao Céu;
está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso,
donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo;
na santa Igreja católica;
na comunhão dos santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição do corpo;
na vida eterna.
Amém.

* - Através dos séculos, há inúmeras versões significativamente diferentes do assim chamado Credo Apostólico (invenção católica) https://en.wikisource.org/wiki/Creeds_of_Christendom/Apostles'_Creed.
-Versões com "desceu ao inferno" (em latim, "descendit ad inferna") foram adotadas em muitos séculos, em muitos países, por muitos grupos, tanto católicos como reformados. O livro Early Christian Creeds, de J.N.D. Kelly, reproduz pelo menos 4 versões do credo, em diferentes países e séculos bem antigos, com "desceu ao inferno" (pags. 174, 177, 179, 369, 370): a Antiga Versão Romana, do ano 150 dC; a versão adotada (não criada) pelo monge Tyrannius Rufinus (340/345–410) como parte do "credo de Aquileia". A versão gaulesa (do ano 650) praticamente tornou-se a definitiva. Mais detalhes em "Commentary on the Apostles' Creed", http://www.newadvent.org/fathers/2711.htm (site católico) e em "Descendit at Inferna, ...", do presbiteriano Heber Carlos de Campos, http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_IV__1999__1/Heber.pdf.
- O Credo Atanasiano também diz "descendit ad inferos" ("desceu aos infernos") https://pt.wikipedia.org/wiki/Credo_de_Atan%C3%A1sio.



************************* Hélio vai começar resumido e adaptando de http://www.calledtocommunion.com/2009/09/john-calvins-worst-heresy-that-christ-suffered-in-hell/
(cuidado, o autor disso, Dr. Taylor Marshall, é reformado que voltou ao catolicismo romanista. A grande maioria dos 22 autores do site é de católicos que vieram de igrejas reformadas.)


Referindo-se ao Credo Apostólico [na versão Gaulesa, que adotou], Calvino escreveu:

"Mas, além do Credo [Apostólico], devemos buscar uma exposição mais segura da descida de Cristo ao inferno: e a Palavra de Deus nos fornece uma [exposição] não somente piedosa e santa, mas repleta de excelente consolo. NADA teria sido feito [efetivando salvação] se Cristo tivesse suportado somente a morte CORPÓREA. A fim de Se interpor entre nós e a ira de Deus e satisfazer o Seu juízo justo, era necessário que Ele [Cristo] sentisse [todo] o peso da vingança divina. Por isso, também foi necessário que Ele se engajasse [sofresse], por assim dizer, de perto com os poderes do INFERNO e os horrores da MORTE ETERNA.

"Nós recentemente citamos a partir do Profeta [Isaías 53], que
"o castigo que nos traz a paz [estava] sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados", que "Ele foi moído por causa das nossas iniquidades", que "Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades", [versos] que intimam que, como um patrocinador e fiador dos culpados e, por assim dizer, sujeito à condenação, Ele [o Cristo] assumiu e pagou TODAS as penalidades que deviam ter sido exigidas deles [dos homens culpados], excetuando-se apenas que as dores da morte não O puderam conter [depois de 3 dias e 3 noites]. Por isso, não há nada estranho em ser dito que Ele [o Cristo] desceu ao inferno [de sofrimento condenatório], visto que Ele suportou a morte que é infligida aos ímpios por um Deus irado. É frívolo e ridículo objetar que desta forma a ordem é pervertida, sendo absurdo que um acontecimento [ter descido ao inferno] que precedeu o sepultamento [os instantes entre a morte e sepultamento] deva ser colocado [no Credo] depois dele [o sepultamento]. Mas, depois de explicar o que Cristo suportou à vista do homem, o Credo adequadamente acrescenta o julgamento invisível e incompreensível [de modo que a cruz como julgamento visível não foi suficiente. Cristo sofreu [queimando] dentro do inferno ...] que ele suportou diante de Deus, para nos ensinar que não só o CORPO de Cristo foi dado como o preço da redenção [na cruz], mas que havia um preço maior e mais excelente - que Ele suportou em Sua ALMA as torturas [no inferno] de um homem condenado e arruinado. [Assim, depois de sofrer no corpo, sobre a cruz, a alma de Cristo sofreu torturas dos condenados, no inferno.]" (Calvin, Institutas 6:10, https://www.ccel.org/ccel/calvin/institutes.iv.xvii.html.)




************************* Agora, Hélio traduz de https://en.wikipedia.org/wiki/Harrowing_of_Hell (Tormentos do Inferno):
[1] "João Calvino expressou sua preocupação de que muitos cristãos "nunca consideraram seriamente o que é ou o que significa que fomos redimidos do julgamento de Deus. Contudo, esta é a nossa sabedoria: devemos sentir o quanto a nossa salvação custa ao Filho de Deus ". A conclusão de Calvino é que "a descida de Cristo ao INFERNO era indispensável para a EXPIAÇÃO dos cristãos, porque CRISTO SUPORTOU A PENA PELOS PECADOS DOS REDIMIDOS." [Aqui, Harrowing_of_Hell diz estar citando o Centro de Teologia Reformada e Apologética"
[2] "Calvino opôs-se veementemente à noção de que Cristo [desceu como vitorioso e] libertou prisioneiros [do inferno], ao contrário [da verdade] de VIAJAR AO INFERNO A FIM DE COMPLETAR OS SOFRIMENTOS ´[expiatórios] DELE" (Harrowing_of_Hell apresenta esta sentença como sendo o sumário do pensamento de Calvino em Institutos da Religião Cristã, Livro 2 , Capítulo 9, seções 8-10. Hélio leu tudo, achou Calvino meio confuso, escorregadio e contraditório, mas achou que o sumário pode ser considerado suficientemente honesto e justo),




************************* Finalmente, Hélio esboça uma breve REFUTAÇÃO ao ensino de Calvino e de "Harrowing_of_Hell", de que Cristo foi ao inferno de fogo para ali queimar no fogo e sofrer a morte eterna, completando sua obra expiatória [em uma espécie de segunda expiação]:

    Em primeiro lugar, a tipologia da expiação no Velho Testamento sempre aponta para UMA ÚNICA expiação por Cristo ao derramar todo o Seu sangue na cruz do Calvário, pois a expiação no VT sempre foi tipificada somente através de um único derramamento de todo o sangue da vítima animal macha imaculada, num único momento, a Páscoa. Nada foi necessário depois nem além do derramamento de todo o sangue.
Defender a necessidade de uma segunda obra expiatória do Cristo, feita queimando e sofrendo dentro do inferno de fogo, é negar a suficiência da cruz, do sangue, e da morte de o Cristo.


Versos apontando que o sofrimento expiatório de Cristo, nos substituindo, nos salvando, foi na CRUZ, somente na cruz, e que Cristo não teve que sofrer queimando no inferno de fogo:

    Jo 19:30 E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: ESTÁ CONSUMADO. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

    Cl 2:14 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, CRAVANDO-A NA CRUZ.
[Toda a obra expiatória e redentora foi terminada na CRUZ]

   
Is  4 Verdadeiramente *Ele* tomou sobre Si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre Si; e nós O reputávamos por GOLPEADO, FERIDO de Deus, e oprimido. 5 Mas Ele foi TRASPASSADO por causa das nossas transgressões, e MOÍDO por causa das nossas iniquidades; o castigo- corretivo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas PISADURAS fomos sarados.  6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho; mas o SENHOR fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos. (LTT)

   
Lc 23:43 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no PARAÍSO.





Defesa contra deturpação de versos por quem quer forçar que a cruz não foi suficiente, a expiação por Cristo em nosso favor, lá, não bastou, foi indispensável Cristo fazer uma 2ª expiação, sofrendo a morte eterna, queimando do inferno, para, só assim, poder nos salvar:

    Mt 12 40 Pois, assim como esteve Jonas dentro do ventre da baleia [durante] três dias e três noites, assim estará o Filho do homem dentro do coração da terra [durante] três dias e três noites.
O Cristo ficou 3 dias e 3 noites (isto é, do pré-alvorecer da quinta-feira até o do domingo) no coração (o centro) da terra, com a porta do túmulo fechada, mas isto não implica que foi dentro do sofrimento da condenação do inferno de fogo.

    Ef 4 9 (Ora, isto, "Ele ascendeu", que é, senão que também Ele desceu, antes (disso), para dentro das partes mais baixas da terra
O Cristo "desceu" não meramente "para dentro da terra", mas sim "para dentro das partes mais baixas da terra", o seu centro (para lá estar 3 dias e 3 noites), mas isto não implica que foi dentro do sofrimento da condenação do inferno de fogo.

Sl 16 10 Pois não deixarás a Minha alma no inferno, nem permitirás que o Teu Santo veja corrupção.
A alma do cristo não ficou para sempre no Hades = Sheol = inferno (lugar da habitação dos mortos, que então tinha 2 compartimentos eternos e inescapáveis (um o paraíso dos salvos, outro  o local de sofrimento dos perdidos) Lc 16:19-31, e agora só tem 1 compartimento (de sofrimento).
E o corpo do cristo não conheceu a menor corrupção.
Mas o verso não implica que o Cristo foi para dentro do sofrimento da condenação do inferno de fogo, cremos que Ele manteve-se no inferno bem aventurado, o seio de Abraão, mesmo que tenha pregado aos salvos "Vencí! Paguei vosso resgate, vou vos levar para o céu", e proclamado aos perdidos ao longe, homens e demônios "Vencí! Chorai vossa justa condenação inescapável".

1Pe 3:18-20  18 Porque também [o] Cristo, de uma só vez por todas, por causa d[os nossos] pecados padeceu, [o] justo em- lugar- d[os] injustos, a fim de que nos levasse a Deus; em verdade, tendo [Jesus] sido feito morrer n[a] carne, mas havendo [Ele] sido vivificado pelo Espírito (Santo);  19 Em Quem (o Espírito Santo), também, [o Cristo], aos espíritos em prisão, havendo ido, pregou, 20 [Àqueles homens] havendo descrido- desobedecido  noutro tempo, quando, de uma [] vez por todas, anelantemente- esperava a longanimidade de Deus n[os] dias de Noé, [enquanto] [estava] sendo preparada uma arca (para dentro da qual [arca] poucas (isto é, oito) almas foram salvas, (flutuando) por instrumentalidade da água).  LTT-ComNotas
- O Cristo "pregou" (proclamou, sem exigir a ideia de oferta de 2ª oportunidade!) julgamento aos espíritos em prisão.
- Se estes "espíritos em prisão" (com não acredito) são demônios que já hoje estão no Tártaro 2Pe 2:4 e Jd 1:6 [por terem tentado corromper a carne humana e assim impedir a prometida encarnação do Cristo? Gn 3:15; 6:1-4]), então esta pregação de o Cristo será apenas a proclamação de derrota final deles, e poderia ter o título: "Vocês falharam! Queimem para sempre, lembrando disso!". Mas a população deste Tártaro, depois da ressurreição de o Cristo, ainda é a mesma de antes, seus demônios lá sofrem crucialmente aguardando o Julgamento Final de todas as coisas, no Trono Branco, para serem, então lançados no Lago de Fogo, para sempre
- Se estes "espíritos em prisão" são (como acredito) aqueles homens havendo descrido- desobedecido na pregação de Noé, então esta pregação de o Cristo será apenas a proclamação de derrota final deles, e poderia ter o título: "Vocês falharam! Vocês deviam ter crido na pregação de Noé, e a obedecido. Queimem para sempre, lembrando disso!"
- Em qualquer das 2 últimas hipóteses, o Cristo depopulou a metade do Hades que abrigava o paraíso e todos os salvos do VT e que já que haviam morrido Lc 16:19-31. Uma vez que o débito deles já tinha sido efetivamente pago ao tempo em que o Cristo desceu ao centro da terra, eles puderam entrar no 3º céu 2Co 12:2.

-     1Pe 4 6 Porque para isto também a[os] (que, então, estarão) mortos foram as boas- novas (o evangelho) (dantes) proclamadas, com o propósito de que fossem (os crentes) julgados, na verdade, segundo os homens, (ainda estando os crentes) na carne , mas [re]vivessem (segundo Deus) em [o] Espírito.

Mesma explicação de 1Pe 3:18-20



Hélio de Menezes Silva, 2017.