sexta-feira, 14 de abril de 2017

Arminianismo: Sumário e Refutação

Hélio de Menezes Silva, 2017


Queremos tratar não das modernas versões do arminianismo modificadas por Wesley, ou pelos Holiness, ou por Finney, etc., mas do Arminianismo original, clássico, iniciado pelo holandês Jacobus Arminius (1560 - 1609) e consolidado na Remonstrância (1610), tendo sua versão final do Sínodo de Dort (1618–19).

Para início de conversa, devemos ter cuidado para não "seguir a moda" e, injusta e vergonhosamente,
caluniarmos o arminianismo clássico afirmando que defendeu e iguala-se completamente ao
semipelagianismo, que um é sinônimo do outro. Para se avaliar qualquer corrente de pensamento, temos que ler seus originadores (o que eles mesmos ensinaram), só depois ler seus críticos, compararmos tudo, chegarmos a honestas e fundadas conclusões, mas a maioria dos críticos do arminianismo que conheço nunca leu nas fontes. Ora, há uma importantíssima diferença: o arminianismo clássico ensina a total depravação do homem, enquanto o semipelagianismo odiou este ensino.

Para comprovarmos que o arminianismo clássico ensina a total depravidade do homem deixado a si mesmo, vejamos algumas frases de alguns teólogos arminianos:
- Armínio: "Neste estado [caído], o livre-arbítrio do homem para o verdadeiro bem não está apenas ferido, enfermo, inclinado, e enfraquecido; mas ele está também preso, destruído, e perdido. E os seus poderes não só estão debilitados e inúteis a menos que seja assistido pela graça, mas não tem poder algum exceto quando é animado pela graça divina." [Arminius, James The Writings of James Arminius (three vols.), tr. James Nichols and W.R. Bagnall (Grand Rapids: Baker, 1956), I:252]

- Simon Episcopius, discipulo de Armínio: "O homem não tem fé salvadora em si mesmo; nem ele nasce de novo ou se converte pelo poder de seu próprio livre arbítrio: se achando no estado de pecado, ele não pode pensar, muito menos querer ou fazer qualquer bem que seja de fato salvificamente bom a partir de si mesmo: mas é necessário que ele seja regenerado e totalmente renovado por Deus em Cristo pela Palavra do Evangelho e pela virtude do Espírito Santo, em conjunto com o seguinte: no entendimento, afeições, vontade e todos os seus poderes e faculdades, para que ele possa ser capaz de compreender, meditar, querer e realizar essas coisas que são salvificamente boas." [Simon Episcopius, Confessions of Faith of Those Called Arminians (London: Heart & Bible, 1684), 118.]

- H. Orton Wiley: "Depravação é total na medida em que afeta todo o ser do homem". [H. Orton Wiley, Christian Theology (Kansas City, MO: Beacon Hill, 1941), 2:98.]

Agora, adaptaremos a partir de textos tirados de http://www.arminianismo.com/index.php/categorias/diversos/artigos/277-silas-daniel/976-silas-daniel-em-defesa-do-arminianismo, resumindo, a bem da concisão omitindo palavras e sentenças (usualmente indicando por isso por reticências "..."), adicionando ênfases, versículos, [comentários entre colchetes] e refutações.

1) ... Deus determinou salvar algumas pessoas e condenar as demais a partir de Seu PRÉ-CONHECIMENTO

 sobre a fé ou a incredulidade futuras dessas pessoas. Ou seja, a eleição ou a condenação divinas não são decisões arbitrárias de Deus, mas decisões tomadas por Deus desde a eternidade com base em Sua presciência em relação às escolhas futuras das pessoas. Escreveu Arminius: “Deus determinou salvar e condenar certas pessoas em particular. Este decreto tem seu fundamento no PRÉ-CONHECIMENTO de Deus, pelo qual Ele conheceu desde toda a eternidade aqueles indivíduos que, por meio da Sua graça PREVENIENTE, creriam; e por meio de sua graça subsequente, perseverariam; [...] e por esse mesmo pré-conhecimento, Ele semelhantemente conheceu aqueles que não creriam e não perseverariam” (GONZÁLES, Ibid., p. 285).
[Hélio: graça preveniente, para os arminianos (e para mim), tem significado diferente de para calvinistas: é aquela indispensável graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, ao chamar, e que precede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis, mas capacita sem obrigar.]

[Hélio: A terminologia arminiana sobre "o salvo
perseverar" é errada: no mínimo é obscura e escorregadia. na prática, é o mais mortífero veneno arminiano que leva tantos ao inferno, pois conduz à mistura de fé e obras para a salvação final, leva à insegurança de se imaginar se se vai ou não perseverar suficientemente. O certo e bíblico é se confiar na perseverança do Salvador em nos PRESERVAR, conservar salvos (somente pelo fato de já termos crido biblicamente em certo dia), apesar de nossas fraquezas e quedas, não pela nossa perseverança. Jo 3:18; 10:28-29; Rm 8:28-30,35,38-39; 1Co 5:3-5; Ef 4:30. Em outro artigo desta série explicaremos melhor.]

Paulo afirma: “
...os que DANTES CONHECEU, também os predestinou...” (Rm 8.29,30). E Pedro assevera que somos “eleitos, segundo a PRESCIÊNCIA de Deus Pai” (1Pe 1.2). Portanto, os calvinistas erram ao vincular a presciência divina à causalidade. Para ser mais preciso: eles erram ao afirmar que Deus conhece previamente todas as coisas porque predestinou todas as coisas. Ora, o texto bíblico é claro: a presciência vem antes da predestinação e da eleição. Estas decorrem daquela, e não o contrário. Deus conhece previamente tudo porque é onisciente, e não porque predeterminou tudo. Deus não precisa predeterminar tudo para saber de tudo. Sim, Ele predetermina muitas coisas, mas não tudo.

Além desses textos bíblicos que colocam claramente a presciência antes da predestinação e da eleição, há muitos textos bíblicos que falam da onisciência divina de forma geral sem sugerir que ela decorre de uma predeterminação de todas as coisas. Salmos 139.2-4 é um deles. Além disso, a maior prova de que a onisciência divina não é fruto de predeterminação é que a Bíblia diz que Deus conhece até mesmo o "futuro contingente condicional". O futuro contingente condicional não é aquilo que acontecerá, mas aquilo que aconteceria se as circunstâncias e as decisões fossem outras. Ou seja, Deus não sabe só o que vai acontecer, mas também “o que aconteceria se”. O exemplo clássico desse tipo de conhecimento divino é o da oração de Davi acerca do povo de Queila (1Sm 23.1-13). Davi perguntou a Deus se era verdade o que tinha ouvido de que Saul estava descendo à cidade de Queila para pegá-lo, e Deus respondeu que sim, num caso clássico de conhecimento do futuro causal. Porém, na sequência, Davi perguntou também se o povo de Queila, mesmo depois de tudo que Davi fizera por eles contra os filisteus, mesmo depois de recebê-lo tão bem com os seus homens, o trairiam mais à frente, entregando-o a Saul na primeira oportunidade; e Deus respondeu que sim, que entregariam, e Davi então saiu dali, de maneira que o povo de Queila nunca traiu a Davi.

Esse é um caso de conhecimento de um futuro contingente condicional. Eles não fizeram, mas Deus sabia que “eles fariam se”. Ora, se há um futuro contingente condicional, e Deus o conhece, isso significa que Ele não precisa predeterminar todas as coisas para saber todas as coisas. Ademais, leiamos mais uma vez as palavras de Paulo e Pedro:
“...os que DANTES CONHECEU, também os predestinou...” (Rm 8.29,30); e “eleitos, segundo a PRESCIÊNCIA de Deus Pai” (1Pe 1.2). Ou seja, a presciência vem primeiro. A predestinação e a eleição se deram com base na presciência divina. Logo, você não é salvo porque foi eleito; você é eleito porque foi salvo em Cristo.

[Hélio: A terminologia arminiana sobre "É SALVO QUEM ESTÁ [permanecendo] EM CRISTO" é errada: no mínimo é obscura e escorregadia. na prática, é o mais mortífero veneno arminiano que leva tantos ao inferno, pois conduz à mistura de fé e obras para a salvação final,  leva à insegurança de se imaginar se se está ou não mantendo dentro de cristo. O certo e bíblico é se confiar na perseverança do Salvador em nos conservar salvos (somente pelo fato de já termos crido biblicamente em certo dia), apesar de nossas fraquezas e quedas, não pela nossa perseverança. Jo 3:18; 10:28-29; Rm 8:28-30,35,38-39; 1Co 5:3-5; Ef 4:30. Em outro artigo desta série explicaremos melhor.]

Perceba que a Bíblia sempre fala de predestinação à vida eterna “em Cristo”. A Epístola de Paulo aos Efésios, que é a que mais fala em predestinação, mostra exatamente isso. Aliás, os termos “em Cristo Jesus”, “no Senhor” e “nEle” ocorrem 160 vezes nos escritos de Paulo, sendo que 36 vezes só em Efésios, onde está o recorde. Ou seja, se queremos entender bem Efésios, devemos começar a atentar para a palavra-chave dessa epístola: “em Cristo”. Ora, mais de uma vez é dito em Efésios 1 que a predestinação ocorre “em Cristo”. Ou seja, a predestinação e a eleição não são para estar em Cristo. Elas são para os que estão em Cristo.

[Hélio: mesma observação acima.]

Para aqueles que estão “em Cristo” estão destinadas, desde a fundação do mundo, todas aquelas bênçãos listadas em Efésios 1, 2 e 3; e a quem não estiver em Cristo, está destinada, desde a fundação do mundo, a perdição. Se você estiver nEle, Seu destino é o Céu; se não estiver nEle, o Inferno. O critério é estar nEle. Como afirma Paulo, Deus nos elegeu “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle” (Ef 1.4), mas Cristo só vaivos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do Evangelho” (Cl 1.22,23). Está claro: a eleição é condicional. E qual a condição? Estar em Cristo: “...nos elegeu nEle...” (Ef 1.4). A Eleição, portanto, é um decreto divino anterior à salvação e fruto da graça, soberania e misericórdia divinas manifestadas em Cristo, o qual é a condição da nossa eleição.

[Hélio: mesma observação acima.]

2) O Arminianismo ensina, à luz da Bíblia, a Doutrina da DEPRAVAÇÃO TOTAL do ser humano, isto é, que o ser humano é tão depravado espiritualmente que precisa da graça de Deus para ter fé (e [depois] para praticar boas obras).

Escreve Arminius: “Mas em seu estado caído e pecaminoso, o homem não é capaz, de e por si mesmo, pensar, desejar ou fazer aquilo que é realmente bom; mas é necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto, afeições ou vontade, e em todos os seus poderes, por Deus em Cristo através do Espírito Santo, para que ele possa ser capacitado corretamente a entender, avaliar, considerar, desejar e executar o que quer que seja verdadeiramente bom. Quando ele é feito participante desta regeneração ou renovação, eu considero que, visto que ele está liberto do pecado, ele é capaz de pensar, desejar e fazer aquilo que é bom, todavia não sem a ajuda contínua da graça divina” (ARMINIUS, Jakob, A Declaration of Sentiments, Works, vol. 1, p. 664, traduzido em Revista Enfoque Teológico, vol. 1, no 1, 2014, FEICS, p. 105).

[Hélio: a terminologia "está liberto do pecado" é errada.]

Ou seja, o homem não regenerado é escravo do pecado e incapaz de servir a Deus com suas próprias forças (Rm 3.10-12; Ef 2.1-10). O Arminianismo nunca ensinou que, por ainda ter em si resquícios da imagem de Deus, o homem tem a capacidade de, mesmo no estado caído, corresponder com arrependimento e fé quando Deus o atrai a si. Não, a iniciativa é sempre de Deus, já que o homem, em seu estado caído, não pode e não quer tomar iniciativa. À luz da Bíblia, o Arminianismo sempre defendeu que é através da graça preveniente que a depravação total, que resulta do pecado original, pode ser suplantada, de maneira que o ser humano poderá, então, corresponder com arrependimento e fé quando Deus o atrair a si. O livre-arbítrio é decorrente da ação da graça preveniente. Vem de Deus a capacidade de arrepender-se e ter fé para ser salvo.

[Hélio: graça preveniente, para os arminianos (e para mim), tem significado diferente de para calvinistas: é aquela indispensável graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, ao chamar, e que precede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis, mas capacita sem obrigar.]

3) ... A graça divina pode ser resistida.

Como afirma Arminius: “Creio, segundo as Escrituras, que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que lhes é oferecida” (ARMINIUS, Ibid., p. 664 in Revista Enfoque Teológico, Ibid., p. 108). São inúmeros os textos bíblicos que deixam clara a possibilidade de resistir à graça divina (Gn 4.6,7; Dt 30.19; Js 24.15; 1Rs 18.21; Is 1.19,20; Sl 119.30; Mt 23.37; Lc 7.30; At 7.51; 10.43; Jo 1.12; 6.51; 2Co 6.1; Hb 12.5).

É equivocado pensar que Deus não é absolutamente soberano se concede ao homem, através de Sua graça preveniente, o livre-arbítrio, isto é, uma vontade livre para escolher ou não a Salvação. Ora, um deus que no fundo manipula as decisões dos seres humanos ao invés de, pela Sua graça, conceder-lhes a capacidade de livremente ter fé e se arrepender para convidá-los a Cristo, não pode ser plenamente justo. É verdade que ninguém merece a Salvação, mas se Deus resolver salvar uns e condenar outros sem conceder uma possibilidade real de escolha para Suas criaturas, estará manchando Sua justiça. O atributo divino da soberania deve estar em perfeita harmonia com o Seu caráter, que é santo e justo (Is 6.3).
Os calvinistas gostam de citar, em favor de sua crença em uma graça irresistível, João 6.44, onde Jesus afirma: “
Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não ATRAI; e eu o ressuscitarei no último dia (LTT)”. Só que o termo traduzido aqui como “trouxer” (ACF, ARC, ARA) é, no grego, elkõ, que, segundo o tradicional léxico de Strong, tem mais o sentido de “atrair”, “induzir alguém a vir”. Ou seja, Deus ATRAI; Ele não força. Ele não violenta a liberdade humana concedida pela Sua graça e soberania. Jesus disse que os que vêm a Ele não são forçados, mas atraídos a Ele (Jo 12.32 E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.).

4) ... Cristo morreu por todos (Jo 3.16 e 6.51; 2Co 5.14; Hb 2.9; 1Jo 2.2), mas Sua obra salvífica só é levada a efeito naqueles que se arrependem e creem (Mc 16.15,16; Jo 1.12).


 Trocando em miúdos: a Expiação de Cristo é suficiente [a todos, disponível a todos], mas só se torna eficiente na vida daqueles que sinceramente se arrependem de seus pecados e aceitam Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador de suas vidas.
Trata-se, portanto, de uma Expiação Universal QUALIFICADA [que tem um filtro posterior], e não de uma Expiação Limitada.

Conquanto existam passagens bíblicas que afirmam que Cristo morreu pelas ovelhas (Jo 10.11,15), pela Igreja (At 20.28 e Ef 5.25) ou por “muitos” (Mc 10.45), a Bíblia também afirma claramente em muitas outras passagens que a Expiação é universal em seu ALCANCE [POTENCIAL] (Jo 1.29; Hb 2.9 e 1Jo 4.14), o que deixa claro que as passagens que dão uma ideia de ela ter sido limitada nada mais são do que referências à EFICÁCIA da Expiação. Ou seja, a Expiação de Cristo foi realizada em prol de toda a humanidade, mas só os que a aceitam usufruem de sua EFICÁCIA.

Os que crêem em Cristo são obviamente associados à obra expiadora (Jo 17.9; Gl 1.4; 3.13; 2Tm 1.9; Tt 2.3; 1Pe 2.24), mas a Expiação é universal (1Jo 2.2). E a eficácia não está na salvação de todos, mas na consecução da Salvação. O fato de a Expiação só ter sido aceita e aplicada em muitos e não em todos não significa que sua eficácia é comprometida. O fato de muitos usufruírem dela já demonstra sua eficácia. Ela só não seria eficaz se ninguém se salvasse por ela. Se alguém foi salvo por ela, esta foi eficiente. Não houve “desperdício” pelo fato de seu alcance ser universal, mas nem todos serem salvos. Além disso, se crermos que a Expiação de Cristo é limitada, o que seria um sacrifício que proporcionasse uma Expiação Ilimitada? Jesus sofreria um pouco mais na cruz? Há casos de arminianos que crêem em uma Expiação Limitada com base na presciência divina, o que apresenta certa coerência, porém o Arminianismo Clássico nunca defendeu a Expiação Limitada justamente porque não só há passagens bíblicas claras sobre o alcance universal da Expiação como também uma Expiação Limitada é uma contradição ao ensino bíblico de que Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10.17 e At 10.34). Deus é soberano, mas isso não significa dizer que Ele fará alguma coisa que contradiga Seu caráter santo e amoroso. Lembremos que uma hermenêutica prudente interpreta uma passagem ou passagens observando o contexto geral sobre o assunto na Bíblia. A Bíblia se explica por meio dela mesma. Portanto, se ela afirma que Deus é santo, justo e amor, e não faz acepção de pessoas; e que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1Tm 2.3,4); e que a Expiação foi por “todos” (1Tm 2.6; Hb 2.9); logo as passagens em que há alusão a “muitos” devem ser interpretadas à luz dessas outras. O resultado é que as passagens que aludem a “muitos” não se referem ao alcance da Expiação, que é universal, mas à eficácia dela para os “muitos” que a receberam por fé.

Não se pode simplesmente desconsiderar o significado óbvio dos textos sem ir além da credibilidade exegética. Quando a Bíblia diz queDeus amou o MUNDO” (Jo 3.16) ou que Cristo éo Cordeiro de Deus, que tira o pecado do MUNDO” (Jo 1.29) ou que Ele éo Salvador do MUNDO” (1Jo 4.14), significa [e-x-a-t-a-m-e-n-t-e] isso mesmo. Em nenhum texto o vocábulo “mundo” se refere à Igreja ou [apenas] aos eleitos. Escreve o apóstolo João: “E Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de TODO O MUNDO” (1Jo 2.2). Ou como disse o teólogo H. C. Thiessen: “Concluímos que a Expiação é ilimitada no sentido de estar à disposição de todos, e é limitada no sentido de ser eficaz somente para aqueles que crêem. Está à disposição de todos, mas é eficiente apenas para os eleitos” (Lectures in Sistematic Theology, Grand Rapids, 1979).



5) O arminianismo entende e sustenta, à luz da Bíblia, que O SER HUMANO PODE CAIR DA GRAÇA, mas que tal coisa não é tão fácil de acontecer como se pensa. O próprio Arminius preferiu deixar em aberto essa questão, isso porque há muitos textos bíblicos que enfatizam a perseverança dos santos e há muitos outros que sugerem a possibilidade de cair da graça, de eventualmente se perder a salvação (Mt 24.12,13; Lc 9.62 e 17.32; Jo 15.6; Rm 11.17-21; 1Co 9.27; Gl 5.4; Ap 3.5; 1Tm 1.19 e 4.1; 2Tm 2.10,12; Hb 3.6,12,14; 2Pe 2.20-22; 1Co 15.1-2 e 2Co 11.3-4). Escreveu Arminius: “
Nunca ensinei que um verdadeiro crente pode, total ou finalmente, cair da fé e perecer. Porém, não vou esconder que há passagens das Escrituras que me parecem ensinar isso” (ARMINIUS, Works, volume 1, p. 131).

De forma geral, sabemos que é muito difícil acontecer de um crente perder a salvação ao final, mas não impossível, razão pela qual a Bíblia insta para que o cristão cultive sempre sua vida espiritual, fortalecendo-se em Deus para perseverar até o fim (Ef 6.10-18). O fato de sabermos que temos segurança em Cristo não deve nos levar a relaxar em nossa vida espiritual, pois tal atitude pode, se não tomarmos cuidado, nos levar, mais à frente, a perecermos espiritualmente.

[Hélio: este ensino de possibilidade de perca da salvação, é o mais mortífero veneno arminiano que leva tantos ao inferno, pois conduz a se crer numa mistura de fé e obras para a salvação final, leva à insegurança de se imaginar se se está ou não mantendo salvo. O certo e bíblico é se confiar na perseverança do Salvador em nos conservar salvos (somente pelo fato de já termos crido biblicamente em certo dia), apesar de nossas fraquezas e quedas, não pela nossa perseverança. Jo 3:18; 10:28-29; Rm 8:28-30,35,38-39; 1Co 5:3-5; Ef 4:30. Em outro artigo desta série explicaremos melhor.]

Jo 3:18 Quem CRÊ nELE NÃO é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
Jo 10:28-29
 28 E dou-lhes a vida ETERNA, e NUNCA hão de perecer, e NINGUÉM as arrebatará da minha mão. 29 Meu Pai, que m[as] deu, é maior do que TODOS; e NINGUÉM pode arrebatá-las da mão de meu Pai.
Rm 8:28-30
 28 E sabemos que todas [as coisas] contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. 29 Porque os que dantes conheceu também os predestinou [para serem] conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 30 E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.
Rm 8:35
Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Rm 8:38-39
 38 Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, 39 Nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
1Co 5:3-5
 3 Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se [estivesse] presente, que o que tal ato praticou, 4 Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, 5 Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja SALVO no dia do Senhor Jesus.
Ef 4:30
E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais SELADOS para o dia da redenção.



Hélio de Menezes Silva, 2017.